sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O Escutismo, as nossas pequenas lagoas e as nozes...



O escutismo, que foi fundado em 1907 por Robert Baden-Powell, é um movimento mundial de juventude que abrange mais de 200 países e territórios.
Baden-Powell nasceu 1857 em Londres e fez os seus estudos em escolas públicas. Como grande amante da natureza aproveitava as férias escolares para prolongados acampamentos, para os quais incentivava os seus irmãos mais velhos a participar. Quando terminou os estudos secundários ingressou no exército. Foi oficial e fez carreira militar. Participou na Guerra do Transvaal, em 1889, onde comandou a guarnição de Mafeking – importante entroncamento ferroviário – cuja posse era de grande valor estratégico. Durante os mais de duzentos dias em que a cidade foi fortemente atacada por forças inimigas, Baden – Powell encarregou-se de organizar um grupo de jovens adolescentes da cidade, treinando-os e orientando-os para o desempenho de importantes tarefas de apoio ao exercito e que se relacionavam com a confecção da alimentação para as tropas, com as comunicações e com a prestação dos primeiros socorros. A forma como os jovens corresponderam ao apelo e desempenharam o papel que lhes foi atribuído teve grande influência no nascimento do escutismo.
Nos Açores, à semelhança do que se passa em todo o Mundo, o movimento do escutismo tem vindo a aumentar. Poder-se-á afirmar que o escutismo é o maior movimento de juventude da nossa Região Autónoma. Só em S. Miguel existem 27 freguesias com núcleos ou agrupamentos de escuteiros. Na costa norte da ilha podemos mencionar núcleos de escuteiros em actividade na Ribeira Grande, Capelas, Maia, Fenais da Luz, Pico da Pedra e São Vicente Ferreira.
Foi na qualidade de escuteiro deste último agrupamento que, aproveitando as comemorações do 25 de Abril, fizemos uma caminhada à “descoberta das pequenas lagoas”, num percurso de 35Km, com início em S. Vicente até ao Hotel da Vista do Rei, nas Sete Cidades, onde pernoitamos, na sala de jantar do Hotel. Para quem não sabe (?) o Hotel da Vista do Rei é uma estrutura hoteleira que foi construída numa das zonas mais paradisíacas da nossa ilha, que tem a classificação de cinco estrelas, mas que se encontra há muitos anos abandonado.
Num amanhecer radioso, pelas 7:00 da manhã, após a alvorada e um reconfortante pequeno-almoço, pusemo-nos a caminho iniciando a jornada das pequenas lagoas.
Nas “empadadas”, perante o espanto de quem ali chegava, um placard da Secretaria da Agricultura e Florestas informava que só no mês de Maio abriria ao público.
Na do “ canário”, pior cenário. À hora em que o almoço convidava, juntamente com outros que ali se dirigiram, – alguns turistas, grupos de jovens, famílias com filhos e outros grupos de escuteiros – não resistimos. Também saltamos o muro já derrubado e sentamo-nos a uma das mesas saciando o apetite que nos não largava. E enquanto comia tentava imaginar o que estaria a comentar o casal da mesa ao lado, que pareciam ser turistas.
Não pode ser assim. É errado fomentar um dos destinos turísticos mais caros do Mundo mantendo, mesmo em época baixa, sítios lindos e parques naturais e de lazer fechados.
Quando contei este episódio a uma pessoa amiga disse-me, paulatinamente: “Pois é, Deus dá nozes a quem não tem dentes”.


Claudio Almeida

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